Afundado em Dívidas? Veja Como Organizar as Contas e Começar a Sair do Vermelho

Estar endividado pode causar ansiedade, preocupação e a sensação de que nunca será possível colocar a vida financeira em ordem. Quando várias contas vencem ao mesmo tempo, é comum não saber qual dívida pagar primeiro ou até mesmo recorrer a novos empréstimos para cobrir os antigos.

A boa notícia é que organizar as dívidas e começar a quitá-las é possível, mesmo quando a renda é limitada. O primeiro passo não é necessariamente ganhar mais dinheiro, mas entender exatamente quanto você deve, quanto ganha e quais despesas são realmente essenciais.

Neste artigo, você vai aprender como organizar as dívidas, definir prioridades e montar um plano realista para começar a sair do vermelho.

Por que organizar as dívidas é tão importante?

Quando as dívidas não estão organizadas, é difícil enxergar o tamanho real do problema.

Uma pessoa pode ter parcelas de cartão de crédito, empréstimos, contas atrasadas e financiamentos, mas não saber exatamente quanto está pagando de juros ou quanto compromete da renda todos os meses.

A organização permite identificar:

  • Quanto você realmente deve;
  • Quais dívidas possuem os maiores juros;
  • Quanto você paga mensalmente em parcelas;
  • Quais contas estão atrasadas;
  • Quanto dinheiro sobra depois das despesas essenciais;
  • Quais dívidas devem ser priorizadas.

Sem essas informações, fica muito mais difícil tomar boas decisões financeiras.

1. Faça uma lista de todas as suas dívidas

O primeiro passo para sair das dívidas é colocar tudo no papel ou em uma planilha.

Não tente resolver o problema de cabeça. Reúna informações de cartões, bancos, financeiras e outras contas pendentes.

Para cada dívida, anote:

Valor total    Parcela    Juros     Vencimento

R$ 2.000        R$400       Alto         Dia 10

R$ 3.500        R$250       Médio     Dia 15 

R$ 600               —            —          Atrasada

O objetivo é transformar um problema aparentemente confuso em números que possam ser analisados.

2. Descubra quanto você ganha e quanto realmente pode pagar

Depois de listar as dívidas, faça um levantamento da sua renda mensal.

Considere salários, trabalhos extras, benefícios e outras fontes de renda recorrentes.

Em seguida, liste as despesas essenciais, como:

  • Aluguel;
  • Alimentação;
  • Energia elétrica;
  • Água;
  • Internet;
  • Transporte;
  • Medicamentos;
  • Outras despesas indispensáveis.

Depois faça uma conta simples:

Renda mensal – despesas essenciais = dinheiro disponível para dívidas e outras despesas

Não comprometa todo o dinheiro disponível com o pagamento das dívidas. É importante manter algum espaço no orçamento para despesas inesperadas.

3. Pare de aumentar as dívidas

Antes de pensar em quitar as dívidas antigas, procure interromper o ciclo de endividamento.

Se você paga uma dívida e imediatamente cria outra, o problema tende a continuar.

Por isso, enquanto estiver reorganizando sua vida financeira, avalie a possibilidade de reduzir temporariamente:

  • Compras parceladas;
  • Compras por impulso;
  • Uso do cartão de crédito;
  • Assinaturas pouco utilizadas;
  • Pedidos de comida por aplicativos;
  • Compras que podem esperar.

Isso não significa deixar de consumir para sempre. O objetivo é criar um período de recuperação financeira.

4. Descubra quais dívidas devem ser pagas primeiro

Nem todas as dívidas têm o mesmo impacto financeiro.

Uma estratégia comum é priorizar as dívidas com juros mais altos, principalmente quando existe a possibilidade de os juros aumentarem rapidamente o saldo devedor.

O cartão de crédito e o cheque especial, por exemplo, podem apresentar custos elevados quando utilizados de forma inadequada.

Uma ordem possível é:

1. Despesas essenciais e contas que podem comprometer necessidades básicas

2. Dívidas com juros muito elevados

3. Dívidas com juros intermediários

4. Dívidas com juros menores

Essa ordem pode mudar dependendo da sua situação. O importante é analisar o custo de cada dívida antes de decidir onde colocar o dinheiro.

5. Negocie antes de assumir um novo empréstimo

Se você não consegue pagar uma dívida nas condições atuais, procure o credor e verifique as opções disponíveis para negociação.

Dependendo da instituição e da situação, pode haver alternativas como:

  • Desconto para pagamento à vista;
  • Redução de juros;
  • Parcelamento;
  • Renegociação;
  • Alteração da data de vencimento.

Mas atenção: uma parcela menor não significa necessariamente uma dívida mais barata.

Um acordo pode reduzir o valor mensal e, ao mesmo tempo, aumentar o custo total devido ao prazo maior.

Antes de aceitar uma proposta, compare o valor total que será pago.

6. Escolha uma estratégia para quitar as dívidas

Existem diferentes métodos para organizar o pagamento das dívidas.

Método da avalanche

No método da avalanche, você mantém os pagamentos necessários das demais dívidas e direciona o dinheiro extra para aquela que possui os maiores juros.

Depois que essa dívida é eliminada, o dinheiro que estava sendo utilizado nela é direcionado para a próxima.

A principal vantagem é potencialmente reduzir o custo total dos juros.

Método da bola de neve

Na estratégia da bola de neve, você começa pela menor dívida, independentemente da taxa de juros.

Depois de quitá-la, passa para a próxima menor.

A vantagem é psicológica: eliminar rapidamente pequenas dívidas pode gerar sensação de progresso e aumentar a motivação para continuar.

Qual método escolher?

Se o objetivo principal é reduzir o custo financeiro, a estratégia da avalanche costuma ser mais eficiente quando aplicada corretamente.

Por outro lado, quem precisa de pequenas vitórias para manter a disciplina pode preferir a bola de neve.

O melhor método é aquele que você consegue seguir de forma consistente.

7. Corte despesas temporariamente

Enquanto você estiver pagando dívidas, pode ser necessário reduzir algumas despesas.

Isso não significa cortar tudo o que proporciona prazer.

Procure primeiro eliminar ou reduzir gastos que têm pouco impacto na sua qualidade de vida.

Por exemplo:

  • Assinaturas que você quase não utiliza;
  • Compras impulsivas;
  • Serviços duplicados;
  • Restaurantes e delivery frequentes;
  • Compras parceladas desnecessárias.

Pequenas economias mensais podem fazer diferença quando são direcionadas para a quitação das dívidas.

8. Procure aumentar sua renda

Reduzir despesas é apenas uma parte da solução.

Se sua renda está muito comprometida, aumentar os ganhos pode acelerar bastante o processo.

Algumas possibilidades incluem:

  • Fazer trabalhos temporários;
  • Trabalhar com prestação de serviços;
  • Vender objetos que não utiliza;
  • Fazer trabalhos pela internet;
  • Utilizar habilidades profissionais para gerar renda extra;
  • Procurar oportunidades de trabalho com remuneração maior.

O dinheiro obtido com uma renda adicional pode ser direcionado principalmente para as dívidas mais caras.

9. Não use todo o dinheiro extra sem planejamento

Receber férias, décimo terceiro, bônus ou qualquer outra renda extraordinária pode ser uma oportunidade para reduzir o endividamento.

Porém, não é necessário gastar todo o dinheiro imediatamente.

Uma estratégia possível é dividir o valor entre:

quitação de dívidas + despesas necessárias + pequena reserva financeira

Ter algum dinheiro disponível para emergências pode ajudar a evitar que uma nova despesa inesperada seja paga com cartão ou empréstimo.

10. Monte um orçamento mensal simples

Você não precisa começar com uma planilha extremamente complicada.

Um orçamento simples já pode ajudar bastante.

Divida seu dinheiro em três grupos:

Despesas essenciais

São aquelas necessárias para manter sua vida funcionando.

Dívidas

Inclua parcelas, acordos e pagamentos destinados à redução do saldo devedor.

Gastos não essenciais

São despesas que podem ser reduzidas, adiadas ou eliminadas temporariamente.

O importante é que o orçamento seja realista.

Um planejamento impossível de cumprir tende a ser abandonado rapidamente.

11. Acompanhe sua evolução todos os meses

Quitar dívidas pode levar meses ou até anos, dependendo do tamanho do problema e da renda disponível.

Por isso, acompanhe sua evolução.

No final de cada mês, registre:

  • Quanto você devia no início;
  • Quanto pagou;
  • Quanto ainda deve;
  • Quanto economizou;
  • Quanto conseguiu aumentar sua renda.

Ver o saldo diminuindo pode ajudar a manter a motivação.

12. Evite cometer o mesmo erro depois de quitar as dívidas

Sair das dívidas é apenas uma parte da organização financeira.

Depois de quitar os débitos, o próximo objetivo deve ser construir uma vida financeira mais resistente.

Comece formando uma reserva de emergência e estabeleça metas financeiras de médio e longo prazo.

Depois disso, você poderá avaliar investimentos de acordo com seus objetivos, perfil e capacidade financeira.

A ideia é trocar o ciclo:

dívida → juros → nova dívida

por:

organização → quitação → reserva → investimentos

O que fazer se você ganha pouco e está muito endividado?

Quem possui renda baixa pode ter mais dificuldade para quitar dívidas rapidamente. Nesse caso, o objetivo inicial não precisa ser eliminar tudo de uma vez.

Concentre-se em três etapas:

1. Impedir que a dívida aumente.

2. Negociar as dívidas que estão mais caras.

3. Criar uma quantia mensal, mesmo pequena, para reduzir o saldo devedor.

Se você consegue direcionar R$ 100, R$ 200 ou R$ 300 por mês para uma dívida, isso já representa progresso.

O valor pode parecer pequeno no início, mas a consistência é mais importante do que tentar fazer um pagamento grande que comprometa completamente seu orçamento.

Quanto da renda deve ser usada para pagar dívidas?

Não existe uma porcentagem universal que funcione para todas as pessoas.

O valor adequado depende da renda, das despesas essenciais, do tamanho das dívidas e das condições de negociação.

O principal cuidado é não comprometer tanto a renda com parcelas que você fique sem dinheiro para alimentação, moradia, transporte e outras necessidades básicas.

Um orçamento sustentável é melhor do que um plano agressivo que você não consegue manter.

Conclusão: começar é mais importante do que esperar o momento perfeito

Organizar as dívidas pode parecer assustador no começo, principalmente quando existem várias contas atrasadas.

Mas o problema fica mais fácil de enfrentar quando você transforma as dívidas em números e cria uma ordem de prioridade.

Comece listando tudo o que deve, descubra quanto dinheiro entra e sai todos os meses, interrompa novas dívidas, negocie quando for necessário e escolha uma estratégia de pagamento.

Você não precisa resolver toda a sua vida financeira em um único mês.

O objetivo é dar um passo de cada vez até recuperar o controle do seu dinheiro.

Quanto antes você começar, mais cedo poderá trocar a preocupação com dívidas pela construção de uma vida financeira mais organizada.